It just wasn’t like the old days anymore

Sim, este é um post saudosista.

No começo dos anos 2000, começaram a surgir coisas bem interessantes na cena alternativa carioca, particularmente no campo do gótico/industrial. Comecei a frequentar algumas dessas festas quando estavam começando. Fui às primeiras edições da DDK ainda no minúsculo Espaço Marun, à Goth Box no finado Lapases, à Nightbreed que passou pelo Marun e pela saudosa Bunker94. Também vale lembrar a ótima e já extinta festa Mobscene.

Nessa época, eu marcava com os amigos do IRC (sim, sou velha) de nos encontrar na porta, conversávamos e bebíamos antes de entrar e eu frequentemente ficava até a festa acabar, sendo frequentemente quase expulsa pelos seguranças. Era um tempo muito bom, a cena era muito boa, fiz muitas amizades legais nesse tempo, ainda que nem todas tenham durado.

Eu já gostava bastante de usar preto mas por uma razão até banal: por ser muito branca, a cor me fica bem. E quanto à questão do gótico, eu sempre gostei das vertentes que se relacionam com o estilo: industrial, darkwave, post-punk, new wave, futurepop, EBM e por aí vai. São o tipo de música que eu sempre tive no meu discman e hoje no tocador de mp3 (juntamente com j-rock e músicas de anime, mas isso é coisa para outros posts), então esse tipo de festa se enquadrava bem com o que eu já curtia. Inevitável não me identificar.

Nesse tempo também, durante essas festas, eu bebia quantidades obscenas de álcool (pense em coisas beirando 2 litros – juro) e conseguia ficar acordada até às 6 da manhã de boa. Havia vezes em que ficava tudo estranhamente bem, e vezes em que eu vomitava muito ou pelo menos chegava em casa muito mal no dia seguinte. Mas eu achava graça depois. Hoje eu muito mal bebo duas cervejas, e só consigo ficar até o fim das festas se tomar duas cápsulas de cafeína antes de sair de casa. Não sei se fiquei velha e meu organismo mudou, se foi minha cabeça que mudou, mas eu já não consigo mais fazer o que fazia há 10 anos.

Daí que eu comecei a namorar um cara extremamente caseiro, a ficar enrolada com trabalho e estudos, casei, e inevitavelmente passei a sair num ritmo bem menor (só lembrando que entre os anos de 2003 e 2006, quando a cena na cidade bombava, eu saía muito).

Ontem teve Goth Box e tentei animar meu marido a ir, pois fazia muito tempo que não saíamos. A festa já havia mudado de lugar fazia algum tempo e possivelmente os frequentadores também, mas a curiosidade e o saudosismo falaram mais alto.

A primeira impressão, que na verdade foi quase um choque para mim, foi passar pela porta do Cine Íris – que é caminho – e bater uma tristeza enorme. Vamos combinar: o Cine Íris era um lugar horrível. A maior parte do local era composto por degraus; a gente literalmente passava a festa inteira subindo e descendo escadas. Os degraus eram um capítulo à parte, pois de tão estreitos eu com meu pequeno pé 42 tinha que SEMPRE ficar me segurando no corrimão para não tropeçar em mim mesma. Havia um degrau maldito que dava acesso ao terraço no qual eu acho que todo mundo já tropeçou. Os banheiros eram permanentemente imundos.

E mesmo não sendo o lugar mais adequado do mundo, havia qualquer coisa de interessante ali que fazia aquilo ser o lugar perfeito para a DDK. Primeiro: em dias úteis, era um cinema pornô. Segundo, havia toda uma atmosfera underground/obscura no local que o tornava especial. Eu sei que pareço completamente contraditória, mas é exatamente como me sinto quando me lembro do Cine Íris.

Fui a edições memoráveis  ali, como o incrível show do Das Ich em 2005. Fiquei muitas vezes debruçada na sacada olhando o movimento da Rua da Carioca, das pessoas entrando e saindo da festa, a caminho do Cine Ideal e das festas na Praça Tiradentes. Frequentemente subia para o terraço a fim de pegar um ar e às vezes passava horas por ali mesmo. Às vezes descia para a parte do cinema, tirava um cochilo nas poltronas, voltava pra dançar mais um pouco. E resumindo: era muito bom.

Eu lembro do site da DDK, que tinha um gif animado de um zepelim no topo e uma parte onde havia rádios com vários estilos. Conheci muita música boa por ali. Lembro que eles tinham um fórum, que depois migrou pro Orkut. Lembro da lista de aniversariantes – mais de uma vez comemorei aniversário na festa. Lembro dos flyers da festa que eram os mais legais de todos, geralmente com uma ilustração inusitada relacionada ao tema da festa na frente, e a programação completa atrás. Cheguei a guardar alguns por um tempo.

Goth4

Episódio de “The Big Bang Theory” em que Howard e Raj decidem tentar a sorte em uma balada gótica. Se não assistiram, assistam!

Chegamos cedo ontem (por cedo entenda-se: 23:40) e o local ainda estava vazio. Ao longo de todo o tempo em que ficamos lá, só vi duas caras conhecidas: uma menina que me deletou recentemente do Facebook – sem motivo – e que por isso mesmo não cumprimentei (parto do princípio que se ela me deletou, é porque não quer falar comigo) e um ex-colega de trabalho que não sei se fingiu que não me viu, ou se de fato não me viu mesmo, foda-se. Nenhum amigo, apesar de alguns terem confirmado presença no evento no Facebook – essa eterna mania das pessoas que me irrita, de confirmar presença e no fim das contas não aparecer; enfim.

Algumas coisas na festa não mudaram. A boa música. A profusão de camisetas do Joy Division. As lentes de contato brancas. Os delineadores pretos. O talco de bebê no rosto. As franjinhas curtas. A bebida boa e barata. Não quero com isso estereotipar o evento até porque acho legais todas essas coisas e fico feliz que se mantenham assim.

Vi muitas caras novas, gente que deveria estar começando a frequentar a festa, gente que já devia passar há muito dos 50 anos que seguia firme e forme.

Os góticos de South Park. Apesar da paródia, considero um dos núcleos mais divertidos da série!

Os góticos de South Park. Apesar da paródia, considero um dos núcleos mais divertidos da série!

Fiquei comentando tristemente com meu marido sobre o porquê dos amigos terem debandado e surgiram várias teorias: as pessoas envelheceram. Casaram, alguns tiveram filhos. Alguns simplesmente desistiram de sair, ou partiram para outros tipos de baladas.

Folgo em saber que pelo menos em qualidade a coisa toda não mudou, mas sinto muita falta da turma que eu tinha e das pessoas legais que conheci desta forma. Sei que as pessoas mudam, enjoam de algumas coisas e também eu não sou igual a como era há 10 anos atrás. Um amigo comentou comigo pelo Twitter que era uma época boa que não volta nunca mais, mas me pergunto se precisará sem sempre assim.

Continuarei acompanhando atentamente a cena, embora não com o mesmo afinco de antes. Mas ainda com a esperança de algum dia poder ser surpreendida com a visão de alguém querido.

 

Leave a Comment

Tags: , , , , , , , , , ,

Pelo direito de não gostar

No ano passado, um crítico inglês detonou o disco do Michel Teló e foi chamado de preconceituoso. Este ano eu fui chamada de preconceituosa por ter expressado claramente não gostava de uma banda cujo vocalista faleceu recentemente. Esses e muitos casos me fazem pensar: será que eu não tenho o direito de simplesmente não gostar de alguma coisa?

Eu já comi banana. De todos os jeitos: ao natural, split, com chocolate, na forma de bananada. Não consigo gostar, não suporto o cheiro, não dá. Costumo dizer que minha relação com essa fruta é um pós-conceito porque sim, já experimentei, já tentei gostar e vi que não dava.

Às vezes você nem precisa ter um contato tão direito com uma coisa (como comê-la) para dizer que não gosta. Ouvir a música de uma banda no rádio e constatar que o som não faz seu estilo. Ver uma peça de roupa que entrou em moda e, mesmo sem ter vestido, já sacar que aquilo não é pra você. O que precisamente me chateia é ser taxada de preconceituosa pelo simples fato de ter expressado uma naogostoopinião negativa.

Eu queria realmente que a galerinha do “falo que gosto de tudo, afinal não sou preconceituoso” me falasse qual a convenção social que estabelece que você deve gostar de todas as coisas, dizer que aquele vocalista que não canta nada é bom porque tem música no rádio e na abertura da novela, que aquela calça que está todo mundo usando é legal porque está na moda, que determinado autor jamais escreve livros ruins porque, se você não o fizer, vai ganhar o estigma de preconceituoso.

Eu já pensei muito a respeito, não chego a nenhuma conclusão 100%, mas falo por mim: quando alguém critica algo de que gosto, vez ou outra penso que a pessoa não conhece a coisa em questão o suficiente, e por isso fala que não gosta. Em alguns casos acho que pode ser isso sim; em outros, realmente a pessoa já teve contato o bastante pra poder dizer que é uma merda. Eu até bem pouco tempo atrás não comia jiló, mas descobri um jeito certo de temperar e hoje se deixarem eu como todos os dias. E já vieram amigos me falar que tentaram temperar o jiló e nem assim gostaram; OK, entendo e não vou julgar nem chamar de preconceituoso.

calcalistrada

Pra mim, não dá.
Crédito da foto: Renner.

 

Pessoa que gosta de tudo não existe. Duvido muito dos que se auto intitulam ecléticos. E vejo com muitos bons olhos quem consegue expressar sua opinião autenticamente, seja ela exaltando ou depreciando.

TODO MUNDO JULGA. “Ah, mas ninguém tem o direito de julgar ninguém”. Mentira. Vou repetir: TODO MUNDO JULGA. Se você não tem opiniões, não emite juízos de valor sobre nada então você não é uma pessoa, é um boneco. Faz parte dessa nossa capacidade maravilhosa de pensar e sentir poder distinguir o bom do ruim, o certo do errado, o gostoso do desagradável.

E ninguém disse que você precisa guardar suas opiniões negativas pra você. Claro que há hora e ocasião para tudo, mas não vejo sentido algum em emitir um juízo de valor positivo para algo que você detesta pelo simples fato de que sempre vai ter alguém com um carimbo imaginário na mão pra gravar preconceituoso na sua testa. Normalmente a maioria dessas pessoas nem sabe direito o que é preconceito, que é você julgar negativamente algo que você não conhece – ou a pessoa já julga de antemão que você não se deu ao trabalho de conhecer e já está falando mal, ou seja, isso é por si um  preconceito!

Poder expressar a própria opinião, sobretudo quando é negativa, pode fazer com que você conquiste a inimizade/estranheza de alguns, mas posso falar pra vocês, é profundamente libertador; ao contrário do preconceito, que é algo que prende, limita. As pessoas que me têm adicionadas no Facebook sabem bem disso, pois eu sofro de uma espécie de sinceridade crônica.

Vale lembrar que não estou falando de preconceito étnico, sexual, religioso etc.; isso é assunto para outro post. Falo das coisas corriqueiras do dia a dia, certo?

Ninguém precisa andar por aí com o polegar apontado pra cima pra agradar a família, os amigos ou quem quer que seja. Poder falar um “não gosto disso” de vez em quando faz um bem danado. Não é ser preconceituoso, não é ser chato, não é ser rabugento; é ser você, é ser autêntico.

Quem quiser complementar – ou até discordar de mim, acho saudável! -, os comentários estão abertos.

 

1 Comment

Tags: , , , ,

Heróis – para quem?

É curioso para mim um fenômeno que tem ocorrido sempre que uma celebridade (geralmente ligada à musica e geralmente ligada às drogas morre): a mesma é alçada ao posto de herói, gente que nem escutava muito o artista em questão vira fã desde criancinha e hoje, com todo esse lance de redes sociais, a gente acaba lendo disparates como “uma pena o falecimento de fulano, meu heróis morreram de overdose”.

Peraí.

HERÓI???

Tá, vamos tentar esclarecer as coisas. A Psicologia e  a Filosofia vêm há longo tempo buscando definir o conceito de herói, e acredito que cada um tenha o seu. A palavra vem do latim heros que, originalmente, significa pessoa que é famosa e reconhecida pelas suas virtudes e pelos seus feitos. Nos poemas gregos, eram normalmente os protagonistas e filhos de deuses (ou híbridos de deuses e humanos).

crianca_heroi

No meu conceito, herói é aquele que luta para o bem comum, que não faz nada motivado por egoísmo e passa sempre bons exemplos, arrancando a admiração das pessoas à sua volta.

No meu conceito, um herói não se droga nem se mata deliberadamente. Não fica levando uma porralôca esperando que os outros vão achar isso foda – bom, bem se vê que tem gente que acha.

Um herói não precisa ter um talento artístico, mas precisa ser essencialmente alguém do bem que não financia coisas que só são – sem exceção mesmo – voltadas para o mal.

– Fulano foi um grande guerreiro, um grande exemplo de vida.

– NÃO, BABY, NÃO FOI! Uma pessoa que se droga, cheira, se mata jamais será exemplo para ninguém! Se ela se afundou, acabou com a própria vida e entristeceu as pessoas que gostavam dela, ela foi tudo, menos guerreira! Se ela gastou os milhões que ganhou para sustentar uma porcaria de uma indústria assassina chamada tráfico de drogas, ela NÃO FOI EXEMPLO coisíssima nenhuma!

Tão difícil entender isso?

– Kárin, então só você escuta música evangélica, não é fã de nenhum artista que ás vezes dá/dava algumas piradas ou se suicidou?

– Claro que não. Só para dar alguns exemplos de cantores/bandas que eu curto: Sid Vicious, Elvis Presley, Ian Curtis, Michael Jackson, Bon Scott, Jani Lane e muitos mais. Todos se mataram de alguma forma; acho que foram músicos exímios mas nunca vou cometi a heresia de me referir a eles como heróis ou exemplos de vida.

Sim, eu acho que que dá para separar o artista da pessoa. Acho que dá para achar a música maravilhosa da pessoa que a fez alguém cujas atitudes eu não gostaria de copiar.

 

ian-curtis1

Brilhante, sim. Bom exemplo, nunca.

Eu meio que entendo essa espécie de catarse coletiva em que as pessoas ficam quando o artista morre, entendo a tristeza, mas para mim querer considerar um suicida como herói já é algo que beira a insanidade. Me pergunto se essas pessoas que falam esses absurdos e colocam essa pessoa num patamar moral – não estou falando de patamar artístico, vejam bem – em que não deveriam estar,  se gostariam que um irmão ou parente delas saísse por aí torrando o dinheiro em entorpecentes ou se enforcando com o lençol.

Finalizando: curtam a música. Exaltem o talento, porque o mesmo às vezes vem para pessoas completamente desequilibradas. Ninguém é perfeito. O vício não desmerece o artista. Mas pelo amor de Odin, não se refiram a pessoas que deram cabo da própria vida e financiam essa nojeira que é o tráfico como exemplos ou guerreiras. Elas perderam a guerra pro vício e pra vida e, ainda que muitas tenham sido virtuosas no que faziam, continuam sendo pessoas cujas atitudes ninguém deve louvar. Bom senso sempre!

 

 

Leave a Comment

Tags: , , , ,

Porque eu não assisto o Big Brother Brasil

Depois de amanhã vai ao ar a 13ª edição do Big Brother Brasil. O assunto costuma dominar as redes sociais, sempre com aquela tradicional divisão dos que amam e os que odeiam. Sim, eu faço parte do time dos que odeiam o reality, mas venho aqui tentar desmistificar algumas coisas que a galerinha pró-BBB costuma falar e expôr minha opinião e razões pelas quais prefiro não assistir – e, acredito, muita gente vá concordar. Vamos lá:

1. Eu não assisto o programa por um motivo puro e simples: não gosto. Definitivamente não sou fã de reality show, salvo poucas exceções: Esquadrão da Moda, Troca de Família (ainda existe?), The Glee Project.

bbb

 

2. Sempre mais do mesmo. Sempre os mesmos clichês. Começa a galera toda entrando na casa animada e descontraída, querendo se conhecer, UUHUUUUULLLL, AÍ GALERAAAA. Festas descoladas. Meia dúzia de gente bêbada no final. Ai, eu não devia ter feito aquilo. Pegação. Pessoas de fora especulando se o casal vai durar/sobreviver após o programa (quase nunca acontece). Choradeiras pré-paredão AAAAAIII EU NÃO SEI ATÉ QUANDO VOU AGUENTAR NÃO SEI. Brigas, desentendimentos, você é uma falsa, uma falsa. Pagação de peitinho no banho, você viu? Fulaninha de bronzeia de fio dental na piscina, diz a manchete do Terra.

Prova do líder, será que é de resistência ou de sorte? Sorteios de carros a rodo. Pedro Bial fazendo aqueles discursos chatíssimos antes de cada eliminação – sendo que o da final beira o insuportável, a gente sente uma vontade muito grande de dar um tiro na própria cabeça. Aeeee, abraça a família, o que você tem a dizer, você esperava ganhar?

As mais belas posarão para a Playboy; as nem tão belas, para a Sexy.

3. Aquela terrível sensação de onipresença. Liga na Globo, mesmo fora do horário do programa, tem BBB. Tem as entrevistas na rua feitas pelo Vinicius Valverde (que só trabalha na época do programa ou é impressão minha?), tem BBB e ex-BBB no Video Show e no Faustão (argh). Resolve ir pro Multishow: BBB. Programa da Sônia Abrão: enfim…

Isso sem mencionar o Facebook e o Twitter. O jornal – particularmente os no estilo do Meia Hora. As conversas no metrô, no elevador, no trabalho. É, meu amigo, você não tem para onde correr!

4. Eu não muito sentido em assistir um programa em que é quase certo que a grande maioria dos participantes vá cair no ostracismo. Vamos lá, cite aí ao menos dez ex-participantes. Assim de cabeça eu consigo lembrar da Grazi Massafera e do Jean Willys, que virou deputado.

5. “Mas você se acha mais culta só porque não vê BBB, né?”. De uma vez por todas: NÃO! Definitivamente não ou o tipo de pessoa que passa todas as horas vagas lendo Proust ou assistindo documentário do History Channel. Não frequento a Livraria da Travessa e não escuto música clássica. Assisto muita coisa na TV que – pelo menos teoricamente – não me acrescenta nada culturalmente: novelas (adorei Avenida Brasil), videoclipes, seriados, Hermes & Renato, O Melhor do Brasil. Li Crepúsculo e gostei (podem me crucificar, não me importo). Sou leitora assídua do Kibeloco e do Não Salvo. Tenho um lado que às vezes anseia por coisas de qualidade, é claro, e sempre que posso procuro ler bons livros e ver bons filmes, mas enfim; eventualmente consumo tanta podreira quanto quem assiste BBB, mas quem não? Não dá pra ser sério o tempo todo, como não dá pra ser retardado sempre. Acho legal ter um equilíbrio.

macaco

6. Se pudesse escolher entre o bem e o mal, ser ou não seeeeeeeeeeeeer.

Se o amigo leitor sente uma forte vontade de destruir a TV a machadadas quando ouve esta comovente canção, dá cá um abraço.

pr

Para saber mais: Big Brother Brasil, a gladiatura pós-moderna

 

Leave a Comment

Tags: , , , , , ,

Por um mundo com menos pessoas inseguras ou a receita para viver menos

As pessoas hoje em dia têm andado cada vez mais inseguras. Qualquer comentário mal interpretado – ou que elas preferem interpretar erroneamente -, e elas se sentem ameaçadas chegando a, por vezes, criar caso com quem aparentemente pode expor suas fraquezas. O que vou passar abaixo é, por incrível que pareça, uma relação de dicas pela qual reza a cartilha dos inseguros e que irão fazer você viver menos. Seguindo pelo menos parte delas, você ganhará cabelos brancos bem mais rápido e com certeza reduzirá alguns dias da sua expectativa de vida. Vamos lá?

1. Tenha um mantra, e repita-o sempre. Minha sugestão:

MIMIMIMIMIMIMIMIMIMIMIMI.

2. Reclame. Reclame muito, sempre. Reclame do trabalho. Reclame que está sem trabalho. Reclame do calor e do frio. Mas não fique um dia sem se queixar.

3. Xingue. Deboche. Mas, detalhe: só pelas redes sociais! Pessoas inseguras nunca dizem nada na cara.

4. Mantenha constantemente no seu vocabulário palavrões e expressões como QUE SACO!!! e afins. Use-a sempre que necessário, ou até mesmo quando não for necessário. Dê chiliques, seja no mundo real ou virtual.

5. Não entenda – ou finja que não entendeu – piadas, ironia ou sarcasmo. Seja rabujento e acheu que tudo é de mau gosto. Não tenha absolutamente nenhum sendo de humor.

6. Vista todas as carapuças que puder. Pense que qualquer coisa dita na internet foi direcionado para te denegrir, pegue todas as indiretas como sendo para você. Crie uma verdadeira paranoia. Pense que o mundo está contra você.

Scrooge, seu velho ranzinza!

7. Corte relações com qualquer pessoa que te corrigir, ainda que a correção tenha sido feita em tom de brincadeira. Sendo inseguro, você naturalmente não quer ver suas fraquezas expostas – por mais que seja super natural errar, e por mais que o tom da brincadeira não tenha tido nada de maldoso. Desfaça amizades por motivos fúteis, afinal você só precisa ter ao seu lado as pessoas que o elogiem, não importanto o quão falso isso possa ser.

8. Tenha o hábito de falar alto. Se precisar, grite. Já que a capacidade argumentativa de uma pessoa insegura não é tão grande, elevar o tom de voz pode mascarar essa deficiência. Dica: usando o computador, mantenha o Caps Lock sempre ligado.

9. Jamais assuma seus erros e defeitos, por óbvios que sejam. Mantenha uma postura defensiva e revide tudo (a postura de ataque só se revela na internet, lembre-se). Nunca deixe de ter em mente que os outros são errados, não você.

10. Seja ingrato. Pratique a ingratidão com todas as suas forças. Mesmo aquela pessoa que fez quase toda a sua parte no trabalho em grupo se torna uma filha da puta total porque disse algo que o desagradou. Corte laços com aquele te emprestou dinheiro em um momento difícil simplesmente porque em algum momento ele foi sincero demais. Esqueça toda e qualquer coisa boa que alguém lhe possa ter feito pelo motivo mais besta que houver.

 

Seguindo as dicas acima, tenha a certeza de que em breve você estará logo com a cabeça toda branca e também começando a criar várias doenças silenciosamente no seu organismo. E quando isso acontecer, selecionei uns links bem interessantes que irão ajudá-lo(a) no processo. Segue:

O que fazer quando aparecem os primeiros cabelos brancos

Como pintar os cabelos em casa

O que é um plano de assistência funeral?

Como escolher e comprar um caixão

 

Leave a Comment

Tags: , , , , , ,

O onigiri e o gato

 

Vou começar o post falando de uma coisa basante peculiar em um anime que comecei a assistir recentemente, chamado Fruits Basket. Não vou falar do anime e sim do porquê do título do mesmo, e porque me identifiquei muito com isso.

Pra resumir a sinopse, o anime começa contando que diz a lenda do Horóscopo Chinês que Deus ia dar uma festa e todos os animais foram convidados. O rato, espertamente, disse ao gato que a festa seria em um outro dia. No dia da festa, todos os animais estavam estavam lá, menos o gato. A ordem em que os animais chegaram se tornou a adotada no Horóscopo Chinês. O gato, triste e enganado, ficou de fora. O anime conta a história de jovens que conseguem se transformar nos animais do referido Horóscopo inclusive o gato, Kyo (por sinal o personagem mais revoltado da história); mas enfim, não vou esmiuçar isso aqui. Vocês já verão aonde pretendo chegar.

Não há lugar pra você nessa festa.

Entre as crianças do Japão existe uma brincadeira muito popular chamada Cesta de Frutas. Nessa brincadeira, um líder dá para cada criança o nome de uma fruta, e elas assim participam do jogo. Cada criança é convidada a levantar da sua cadeira e a participar da brincadeira sendo chamada pelo nome de fruta que lhe foi dado. À protagonista da anime, Tohru Honda, é dado o nome de onigiri (bolinho de arroz). OK, bolinho de arroz não é fruta, certo? Tohru nunca era chamada a tomar parte no jogo, sendo, portanto, sempre excluída. Mas Tohru sempre foi uma menina de bom coração que se esforçava para agradar e tentar ter a amizade dos demais.

Ore wa… onigiri!

É pra falar justamente sobre isso: ser excluído.

Eu nunca fui aquela criança que sempre teve muitos amigos na escola. No recreio, era mais comum eu ficar comendo no meu canto ou lendo. Provavelmente devo isso à timidez, e definitivamente num mundo onde a capacidade de saber se comunicar bem é tão valorizada, hoje eu vejo isso como um defeito sério. De qualquer forma, eram poucos os que me convidavam pra brincar, puxavam assunto. E eu mesma sempre tive muita dificuldade pra tomar iniciativas. Frequentemente quando tinha trabalho em grupo eu tinha que pedir à professora para me encaixar em algum. Não raras vezes fazia esse tipo de trabalho sozinha; às vezes por preferir assim, às vezes por não ter outra opção. Quando era o segundo caso, eu me sentia internamente humilhada. E não, nunca pedi que colocassem meu nome no trabalho sem eu ter feito nada pois, apesar do meu retraímento, eu gostava de verdade de participar das coisas.

Eu não tenho nenhum amigo da época da escola. Da época da faculdade, poucos.

– x –

Em 2000 eu fazia parte de alguns grupos do Yahoo! para falar de bandas de que eu gostava. Em um desses procurei fazer amizades com algumas meninas, com algumas cheguei a falar por ICQ e telefone, conversas que duravam horas. Tinham particularmente três às quais eu me achava particularmente ligada por laços que eu julgava serem de amizade: uma daqui mesmo, uma carioca então vivendo em Minas e uma curitibana. Havíamos combinado de no fim daquele ano todas se encontrarem pessoalmente em um shopping do Rio, estando a que morava em Minas e de Curitiba na cidade. A mais velha do grupo (a que vivia em Minas) ficou de ligar para todo mundo dias antes a fim de marcar.

Passaram-se vários dias, e nada do contato. Até que em um belo dia eu olho uma postagem da tal moça mais velha no grupo, dizendo que se encontrou com as outras duas e que foi um dia especial, que foi ótimo tê-las conhecido etc.

Fiquei arrasada. Postei no grupo minha insatisfação por ela não ter me telefonado (pois não era o combinado?), e a moça em questão deu uma desculpa qualquer. O fato é que fiquei muito tempo triste por causa disso – e se ainda hoje me lembro disso, é porque talvez não esteja 100% bem resolvido dentro de mim – apesar de, obviamente e pelo ocorrido e pelo tempo passado, eu não ter mais absolutamente nenhum contato com nenhuma delas.

– x –

Eu tinha uma amiga que eu não via há bastante tempo e na verdade nem sei bem o motivo, já que não morávamos longe. São esses distanciamentos que acontecem sem que a gente saiba bem por quê. Ainda assim, eu tinha-lhe um carinho muito grande. Já havia por várias vezes dormido na casa dela, sendo pela família toda muito bem acolhida, fomos a aniversários uma da outra e o que foi muito marcante para mim: por ocasião do falecimento do meu pai, ela apareceu lá com toda sua família para me dar força – e de gestos como esse eu acho que me lembraria mesmo que batesse com a cabeça e perdesse a memória. Pensava comigo: “puxa, mesmo sem ver Fulana há muito tempo quando eu me casar vou chamá-la para a festa, já que ela foi tão bacana comigo quando precisei”.

Aí Fulana se casou. Postou as fotos no Orkut, e eu mais uma vez fiquei triste pois achava que, mesmo “distantes” (não no sentido físico, pois como disse, éramos praticamente vizinhas), eu achava que ela se lembraria de mim. Ainda me considerava amiga dela ainda que não nos víssemos amiúde.

– x –

Ano passado eu consegui um trabalho que estava querendo há muito tempo. Muitos colegas de profissão que entraram comigo tinham mais ou menos minha faixa etária, e em meio a conversas também cheguei a pensar que estivesse fazendo amigos, tanto que por várias vezes chegamos a sair para beber e ter papos divertidos que duravam horas. Algumas pessoas do grupo saíram por ter passado em outros concursos, mas aparentemente a ligação continuava.

O fato é que na última vez em que o grupo se reuniu para beber, não me chamou. E passei boa parte daquela manhã retendo dentro de mim aquele monte de sentimentos horríveis, e acabei à noite descontando com o namorado que nada tinha a ver com a história (quem nunca?). E talvez o pior disso seja saber que provavelmente irei pro túmulo sem saber por que diabos não fui convidada desta vez. Se é porque simplesmente decidiram achar que sou chata, que não sou boa companhia etc., não irão me falar. Acaba sendo mais fácil dar uma desculpa pré-fabricada que definitivamente não cola – e minha experiência com isso é vasta, heaven knows.

A minha vida toda eu me acostumei a viver ora como o gato, me revoltando, ora como o onigiri, tentando ser boazinha a fim de tentar ser aceita pelos grupos. Em comum, o fato de ser sempre excluída, mais cedo ou mais tarde. E acreditem, por mais que isso sempre tenha sido uma constante para mim, sempre doeu. Meu namorado diz que sou a pessoa mais azarada que ele conhece quando o assunto é amizades. Eu não sei se é azar, se é minha timidez, se são coisas erradas que posso estar dizendo ou fazendo, se é porque provavelmente tentei fazer amigos nos lugares errados, se o problema são os outros que não sabem lidar comigo. Mas pergunte pro gato e pro onigiri e se eles gostam de ser gato ou onigiri. Sabe aquele trecho da música Maurício do Legião Urbana? “E dizem que a solidão até que me cai bem”. Parece uma coisa terrível à qual estamos invariavelmente condenados, um carma, uma lepra que faz com que as pessoas não queiram ficar perto de nós por muito tempo. E se rebelar não adianta; tentar ser legal com os amiguinhos às vezes parece ter efeito pior ainda (!!).

E bom, eu sei que apesar de tímida e às vezes meio sem tempo, eu realmente gosto de sair, de beber, de comer, de conversar assuntos interessantes, de ouvir música, de ser chamada pras coisas mesmo que nem sempre dê para ir pois para mim isso é um indicativo de que gostam da minha companhia. Um dos poucos amigos de longa data que tenho vive me chamando, e ele sabe que nem sempre dá ou por causa da data, de ter compromissos no dia etc. Ainda assim, ele continua a me convidar. E quando saímos, é sempre divertido. Resumindo: não é porque eu seja quieta ou ocupada que eu seja, necessariamente, inacessível. Acho que quando a pessoa deixa se lembrar da sua existência, é porque o sentimento ali é qualquer coisa, mas definitivamente não é amizade. Você vira um conhecido (pqp, como eu odeio essa palavra).

Por ora a intenção foi só descrever a metáfora de como é ser onigiri/gato; na verdade eu tenho na cabeça um monte de outros exemplos que a gente vivencia no dia-a-dia dos quais vou falar em outro post. Sim, acho que ainda tem muito a falar sobre isso. E por fim não pensem que o blog terá sempre esse tom depressivo até porque a intenção não é essa. ^^

Peço desculpas pelo texto imenso, mas eu precisava tê-lo escrito.

“Desde aquela epoca eu ja era muito ingênua. Nunca haveria lugar para um onigiri em uma cesta de frutas” – Tohru Honda

 

 

12 Comments

Tags: , , , , , ,