Tratamento “diferenciado”

Quem é vivo sempre aparece! Vou tentar retomar a regularidade dos posts, mas hoje venho aqui para fazer um pequeno desabafo.

Como muitos sabem, eu namoro há bastante tempo e estou noiva. Inicialmente só nós casaríamos no civil, mas fizemos as contas e decidimos que merecíamos uma festa, ainda que sem pompa. Passei os últimos três meses fazendo pesquisas em sites de casamentos e pedindo mil orçamentos. Fechamos um salão – um incrível pertinho de onde moramos – e a data – em agosto deste ano.

OK, até então eu só tinha de certos a data e o salão – no qual já está incluído decoração, bufê, bebidas, DJ. Até que, por meio de um desses tantos sites de casamentos em que estou inscrita, recebi um e-mail me da Stuture Produções me oferecendo um par de convites para o Workshop Casamento Certo, a ser realizado em um clube da cidade, nos dias 11 e 12 de janeiro deste mês. Teria também hora marcada com renomado estilista de noivas paulistano, que me auxiliaria na escolha do vestido. Como realmente precisava de ideias para tudo – vestido, lembrancinhas, decoração etc. -, decidi ir. Dias antes do evento em questão, recebi vários telefonemas e SMS pedindo confirmação da minha presença.

Agora, vamos colocar um fato: nasci, fui criada e moro no subúrbio carioca. Continuarei morando no mesmo bairro após me casar. Não vou dizer que “tenho orgulho de ser suburbana” porque isso é uma falácia muito grande, além de ser pedante. Ninguém nasce no subúrbio porque quer; nasce-se e ponto. Mas tampouco me ressinto do fato, pois até gosto do bairro: é bem servido de transporte – temos metrô e ônibus para quase tudo quanto é lugar da cidade -, dois shoppings para os quais posso ir a pé; enfim, em absoluto eu me consideraria alguém do tipo que mora mal.

Ah, eu também sou funcionária pública em começo de carreira – em estágio probatório ainda, para ser mais específica – e não ganho muito bem. Sim, o suficiente para pagar minhas contas, ter meu lazer que consiste sobretudo de comprar livros, ir ao cinema e fazer pequenas viagens, mas ainda assim estou longe de ter um super salário. Meu noivo também não é nenhum milionário, embora seja extremamente trabalhador e dedicado.

Quando eu decidi ir ao workshop, minha ideia inicial não era fechar negócio com ninguém, e sim pegar ideias. Fui a pouquíssimos casamentos na minha vida e mesmo estando às voltas com a organização do meu, esse ainda é um universo muito novo para mim. E bom, chegando lá eu pude constatar que uma pessoa da minha classe social ir a um evento voltado para classe AAA decididamente foi um erro – ou ingenuidade da minha parte? Não sei.

Bom, chegando o ao evento – vazio – eu teoricamente teria uma hora com o tal estilista paulistano,o qual nem vi; fui recebida por assistentes do mesmo. Expliquei-lhes mais ou menos as ideias que tinha para o vestido, o que gosto e não gosto de jeito nenhum, e me foram apresentados alguns modelos. Experimentei três, tendo me encantado pelo último. Um dos assistentes me perguntou quanto eu poderia gastar. No que eu respondi, a expressão do homem se fechou imediatamente. O vestido em questão custava quase 3 vezes o que eu pretendia. Foi-me oferecida a opção do aluguel, que ainda considerei cara – e como eu tenho vontade de fazer trash the dress, o aluguel nunca foi algo que eu tomasse por primeira opção. Já sentados com meu noivo, tentaram nos oferecer descontos pela locação, que ainda estavam acima das nossas possibilidades. E quando meu noivo disse que a festa seria simples, e mencionou o bairro, o assistente fez uma visível expressão de desagrado. Saí do estande sem o vestido, mas eu tenho consciência de até onde posso ir. Não, eu não vou dar dois meses de salário em um vestido, por mais que a ocasião seja especial. Isso seria imprudente, e eu ainda tenho outras despesas, como a festa e as prestações do apartamento.

Dali, fomos ao estande de uma empresa que oferecia serviço de fotografia para eventos. Nos foi mostrado um vídeo incrível do que eles tinham, que tinha inclusive a cobertura de um casamento no Copacabana Palace (!!). Nos mostraram books impressos lindíssimos, com capas de vários estilos e inúmeros tipos de papel a escolher. Durante a conversa, meu noivo chegou a citar o local da nossa festa, o que foi recebido com nova torcida de nariz. Ao fim, o responsável pela empresa disse: “vou anotar aqui seu e-mail para estar de passando o orçamento…”

Passada mais de uma semana, não recebi orçamento algum. E chego a duvidar que sequer tenham anotado meu e-mail.

Próxima parada: estande de convites e lembrancinhas. Solenemente ignorados.

No estande que oferecia dia da noiva, o único do qual não posso reclamar: a moça que me atendeu (até me lembrei do nome dela: Natália) foi super simpática, me explicou todos os serviços e até escreveu para mim os diferentes orçamentos de acordo com o tipo de pacote. Não fecharei com eles pois pesquisando posteriormente achei preços melhores.

Depois disso, não nos restou ir embora. Claramente aquilo não era ambiente para nós (pobres? suburbanos? difícil imaginar como possivelmente seríamos rotulados ali) e rumamos para o shopping a fim de pegar um merecido cinema.

E disso tudo aprendi uma lição: quando uma coisa custa 2x e você só tem dinheiro para pagar x, as pessoas vão te tratar diferente, sim. E já sabendo que a coisa vai ser assim, é melhor passar longe de eventos deste tipo, para não correr o risco de aborrecer e/ou frustrar.

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Eu estava errada em ir em um evento voltado para uma classe completamente diferente da minha. Mas também acho que foram errados comigo ao me tratarem com cara feia e indiferença sabendo da minha condição. Eu acho incrível que não pensem que até aquela pessoa que está lá só para olhar e pegar ideias pode amanhã melhorar em muito sua condição financeira, e um dia vir a ser potencial consumidora daquele tipo de luxo. Ou indicar para alguém; enfim.

Bom, lição aprendida, comecei a procurar fornecedores dentro daquilo que eu posso, e já praticamente fechei tudo nesses dias que se sucederam. Estou bem satisfeita com o que tenho conseguido porque sei que, apesar de sem grandes luxos, vai ser uma festa LINDA e com a minha cara.

Passada a festa, e dando tudo certo – como eu realmente acho que vai! -, farei questão de divulgar meus fornecedores, um por um.

E se alguma noiva, ou alguém que conhece alguém que está para se casar leu isto, espero que meu desabafo possa ter sido útil para vocês também.

Ao longo dos meses, possivelmente vocês verão mais posts com o tema casamento aqui. Grande beijo.

 

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