Servir

Sei que faz séééculos que não posto, mas a vida de noiva e proprietária de um imóvel recém-entregue (com todas as burocracias que isto está implicando até poder morar de fato) está me consumindo muito, muito mesmo.

Tenho uma infinidade de coisas sobre casamento que gostaria de compartilhar neste espaço, mas infelizmente não posso prometer nada. A vida anda numa correria insana.

O motivo por eu ter sentido uma grande urgência em escrever este post hoje foi – mais uma vez – um caso de eu ter sido tratada com pouca cortesia por quem deveria estar me prestando um serviço de bom grado.

Vamos lá: ontem fomos eu, meu noivo e duas tias – nossas testeminhas – ao cartório de Madureira dar entrada no casamento civil. Chegamos bem cedo, e pegamos uma fila relativamente pequena.

Fomos para a fila da autenticação de documentos – OK. Fila da abertura de firma – OK. O problema foi quando nos dirigimos para a seção de casamentos. Mesmo nosso celebrante tendo dito que ainda teríamos tempo, foi nos informado com uma má-vontade extrema que não daria. Argumentamos que ainda havia bastante tempo à frente, e os atendentes apontavam com impaciência um papel que dizia que a antecedência para dar entrada deveria ser maior. Outro separava nossos documentos com uma expressão de visível desagrado. A chefe do cartório, quando informada por mim que minha cerimonialista (que a conhece) estava ao telefone e gostaria de trocar uma palavra com ela, reagiu aos berros. E a menina que colheu nossas assinaturas passou o tempo todo com cara de velório, como se quisesse estar em qualquer lugar menos ali.

Horas mais tarde, falando ao telefone com minha cerimonialista ao telefone, ela me disse que “nesse cartório as pessoas são assim mesmo”. E fiquei pensando: não, gente. Não é para ser.

Vamos deixar de lado a questão de se eu e meu noivo estávamos certos ou errados em desconhecer os prazos do cartório citado. O que efetivamente me chocou nisso tudo foi como alguém realmente se dispõe a trabalhar em algo que odeia, a julgar pela má-vontade com que fomos tratados e a expressão carrancuda dos funcionários. Como alguém pode querer dizer-se servidor, se não faz um mínimo de esforço para servir. E como eu mesma, sendo servidora pública, me envergonho de ver pessoas assim manchando a classe, que já possui a fama de não dar valor ao trabalho.

Sinceramente eu não sei se já tratei algum usuário no meu trabalho da forma com que fui tratada ontem, mas realmente a visita ao cartório de Madureira me passou uma lição: me esforçarei ao máximo para não fazer ao mesmo. Vou me policiar tanto quanto possível para tratar em quem me procurar lá com educação e cortesia. Tentarei de todo jeito não deixar que problemas pessoais influenciem a qualidade do meu trabalho.

Pessoas como a de ontem me envergonham profundamente. Mas de certa forma, me estimulam a querer ser uma servidora pública melhor. De ontem em diante, virou questão de honra para mim me esforçar mais. Estudei muito para chegar onde estou, e não é por isso que vou me acomodar e jogar toda a educação que aprendi no lixo.

Muito obrigada.

 

2 Comments

Tags: , , ,
2 Responses to “Servir”
  1. Millena says:

    Quanto você pagou para dar entrada nos papeis em madureira?

Leave a Reply