Heróis – para quem?

É curioso para mim um fenômeno que tem ocorrido sempre que uma celebridade (geralmente ligada à musica e geralmente ligada às drogas morre): a mesma é alçada ao posto de herói, gente que nem escutava muito o artista em questão vira fã desde criancinha e hoje, com todo esse lance de redes sociais, a gente acaba lendo disparates como “uma pena o falecimento de fulano, meu heróis morreram de overdose”.

Peraí.

HERÓI???

Tá, vamos tentar esclarecer as coisas. A Psicologia e  a Filosofia vêm há longo tempo buscando definir o conceito de herói, e acredito que cada um tenha o seu. A palavra vem do latim heros que, originalmente, significa pessoa que é famosa e reconhecida pelas suas virtudes e pelos seus feitos. Nos poemas gregos, eram normalmente os protagonistas e filhos de deuses (ou híbridos de deuses e humanos).

crianca_heroi

No meu conceito, herói é aquele que luta para o bem comum, que não faz nada motivado por egoísmo e passa sempre bons exemplos, arrancando a admiração das pessoas à sua volta.

No meu conceito, um herói não se droga nem se mata deliberadamente. Não fica levando uma porralôca esperando que os outros vão achar isso foda – bom, bem se vê que tem gente que acha.

Um herói não precisa ter um talento artístico, mas precisa ser essencialmente alguém do bem que não financia coisas que só são – sem exceção mesmo – voltadas para o mal.

– Fulano foi um grande guerreiro, um grande exemplo de vida.

– NÃO, BABY, NÃO FOI! Uma pessoa que se droga, cheira, se mata jamais será exemplo para ninguém! Se ela se afundou, acabou com a própria vida e entristeceu as pessoas que gostavam dela, ela foi tudo, menos guerreira! Se ela gastou os milhões que ganhou para sustentar uma porcaria de uma indústria assassina chamada tráfico de drogas, ela NÃO FOI EXEMPLO coisíssima nenhuma!

Tão difícil entender isso?

– Kárin, então só você escuta música evangélica, não é fã de nenhum artista que ás vezes dá/dava algumas piradas ou se suicidou?

– Claro que não. Só para dar alguns exemplos de cantores/bandas que eu curto: Sid Vicious, Elvis Presley, Ian Curtis, Michael Jackson, Bon Scott, Jani Lane e muitos mais. Todos se mataram de alguma forma; acho que foram músicos exímios mas nunca vou cometi a heresia de me referir a eles como heróis ou exemplos de vida.

Sim, eu acho que que dá para separar o artista da pessoa. Acho que dá para achar a música maravilhosa da pessoa que a fez alguém cujas atitudes eu não gostaria de copiar.

 

ian-curtis1

Brilhante, sim. Bom exemplo, nunca.

Eu meio que entendo essa espécie de catarse coletiva em que as pessoas ficam quando o artista morre, entendo a tristeza, mas para mim querer considerar um suicida como herói já é algo que beira a insanidade. Me pergunto se essas pessoas que falam esses absurdos e colocam essa pessoa num patamar moral – não estou falando de patamar artístico, vejam bem – em que não deveriam estar,  se gostariam que um irmão ou parente delas saísse por aí torrando o dinheiro em entorpecentes ou se enforcando com o lençol.

Finalizando: curtam a música. Exaltem o talento, porque o mesmo às vezes vem para pessoas completamente desequilibradas. Ninguém é perfeito. O vício não desmerece o artista. Mas pelo amor de Odin, não se refiram a pessoas que deram cabo da própria vida e financiam essa nojeira que é o tráfico como exemplos ou guerreiras. Elas perderam a guerra pro vício e pra vida e, ainda que muitas tenham sido virtuosas no que faziam, continuam sendo pessoas cujas atitudes ninguém deve louvar. Bom senso sempre!

 

 

Leave a Comment

Tags: , , , ,